Nossa História

Capítulos diversos, relativos à presença de uma vida econômica ativa em Ribeirão Grande há mais de cem anos, poderiam ser reunidos e traduzidos numa história sem fim. Sua ocupação foi pioneira no povoamento do sertão paulista no final do século XVII, quando foram doadas as primeiras sesmarias.

Muito antes disso, os campos compreendidos entre os rios Sto. Ignácio, Paranapanema e os morros da Serra de Botucatu, foram procurados, por serem bons para pastagens. Descobertos por criadores de Sorocaba recebera o nome de campos do Paiol. No início do século XVIII, os campos do Paiol passaram ao controle dos Jesuítas do Colégio de São Paulo, que constituíram ali duas grandes fazendas de criar gado, estrategicamente postadas à beira dos caminhos que conduziam às minas de ouro no Mato Grosso.

Mais antigo ainda que os caminhos que se abriram para o sertão brasileiro, os campos do Paiol já eram atravessados por outro caminho, por onde sertanistas, padres e indígenas se dirigiam do litoral paulista para o interior do continente, buscando, principalmente, as treze missões guaranis, montadas pelos jesuítas espanhóis, à beira do Rio Paranapanema.

Esse caminho era o Peabiru e ia mais longe, Ia a Assumpcion depois a Cuzco, cidadelas dos povos pré-colombianos. Esses antigos viajantes, ao se defrontarem com os morros de Botucatu, tinham duas opções: ou embarcavam em canoas pelo Rio Paranapanema, nos fundos, mais ao sul dos Campos do Paiol e dali ganhavam as terras Carijós (Guaranis) ou, então, subiam as elevaçõesde Botucatu e buscavam alcançar o Paranan Itu (Rio Paraná).

Quando os jesuítas construíram um mínimo de instalações para seu abrigo, e de seu gado, as fazendas jesuítas passaram as ser uma referência a mais para os viajantes, de maneira que as caravanas paravam ali, para que seus componentes refizessem as energias e seguissem viagem. Ao fundo, à beira do Paranapanema, um rudimentar porto para as canoas que iam e vinham. Nas instalações, uma espécie de estalagem. Por outro caminho, utilizado principalmente na volta, os sertanistas deixavam suas canoas nas imediações da grande cachoeira do Rio - Paranapanema e seguiam por um caminho seco, por dentro de imensas florestas e campos, até os morros de Botucatu e dali desciam a Serra buscando descansar nas Fazendas Jesuítas do Paiol.

E faziam o mesmo caminho, na volta. Pois foi bem aí que Ribeirão Grande surgiu como povoado: justamente no cruzamento mais agitado do interior paulista nos séculos XVII e XVIII. Tido pelos historiadores como o mais antigo povoado de que se tem notícia por estas paragens, Ribeirão Grande sempre despertou curiosidade e interesse.

Criado pela Lei Estadual n° 65 de 27 de março de 1.889, tendo em seguida sido criado e instalado o Cartório de registro civil aos 12 de junho de 1.891, ali permanecendo efetivando seus registros cartoriais até 1912, quando foi desativado, pelo declínio do Patrimônio seus livros e registros passaram sob a guarda do Cartório.

O então distrito de Ribeirão Grande foi do Espírito Santo do Rio Pardo (Pardinho). Ribeirão Grande chegou efetivamente a ser uma das grandes cidades da região de Botucatu na passagem do século passado. O primeiro registro de nascimento na então Ribeirão Grande ocorreu em 28 de fevereiro de 1.893, de um menino, que figura apenas com nome de Benedito, filho de José Maria da Luz.

O primeiro “Edital de Habilitação” - termo para casamento usado na época - foi de Gabriel Higino de Carvalho e Delfina Cassemira de Carvalho, ocorrido em 6 de agosto de 1.891. Outro livro refere-se a procurações e escrituras, onde a primeira transação foi lavrada para a venda de uma gleba de terra, no valor de seis mil reis, entre Eloy de Melo César e Francisco Fiúza de Andrade, localizada na fazenda Limoeiro, na Vila do Rio Bonito (Bofete) circunscrita (na época) à comarca de Tatuí.

No livro n° 01 consta o primeiro óbito verificado na localidade, de Luiz Francisco das Chagas, em 30 de maio de 1.893.Todos os dados que existem, em livros que não caracterizam seu real passado, narram fatos ocorridos após o ano de 1.891.

Esses únicos documentos estão arquivados no Cartório de Paz e Anexos de Pardinho, embora Ribeirão Grande na condição de distrito pertencesse na época à comarca de Botucatu. Chegou em 1.910 a possuir uma população de aproximadamente três mil habitantes. Todavia, verifica-se que Ribeirão Grande era mais antiga que isso, como comprova a escritura lavrada no primeiro oficio da Comarca de Botucatu, onde fora feita aos. 23 de dezembro de 1.868, uma doação de vinte e cinco alqueires e meio de terras por oito casais, para a formação do patrimônio do Santo, em Ribeirão Grande.

É sabido, também, que, antes disso, Ribeirão Grande disputara com Botucatu o privilégio de ser elevada à Freguesia, perdendo para a povoação de Cima da Serra, por razões políticas. Alguns antigos moradores da região onde foi Ribeirão Grande, afirmam com superstição que três causas provocaram o desaparecimento da cidade. A primeira - afirma um deles - foi a praga de um padre, após violento espancamento que sofreu durante uma festa. Esse sacerdote, ao ver-se humilhado pelos agressores, disse em altos brados que um dia a cidade desapareceria e seus moradores seriam varridos.

Outra versão é a de que a rivalidade política entre as duas cidades contribuiu fatalmente para o fim de Ribeirão Grande, tendo sua população se transferido para Pardinho e cidades vizinhas. A última justificativa para o desaparecimento da localidade foi a gripe espanhola ou febre amarela que grassou no mundo inteiro, dizimando muitas cidades, e que um dia chegou ao Ribeirão Grande.

Superstição ou não, o que realmente se sabe, é que, com o advento da Lei Áurea, imigrantes Italianos, em bom momento aportaram no Brasil, vindos do velho continente renovar as forças braçais dos fazendeiros de antanho, que ficaram totalmente sem os serviços braçais de seus escravos na agricultura, principalmente na qualidade e na produção do maior filão de “ouro preto”, da história, transformando esta nação, por muitas décadas no maior produtor de café do mundo e, também por conseqüência, na maior fonte de divisas do País.

Daí a concluir-se, que os imigrantes italianos, agricultores por excelência que sempre foram em seu país, como os que aqui aportaram em sua maioria, também trouxeram em suas bagagens para nossa região, grandes conhecimentos na produção agrícola, aplicando-os com muita fé e dedicação no seu “lavoro”, “ y dopo”, extraindo seus sustentos e suas riquezas da prometida “Terra Nostra”.

Os ribeirãograndenses, vendo os italianos a crescerem economicamente com suas lavouras, principalmente na plantação e produção do café, nas regiões em que estes se situavam, logo passaram, também, a transferirem-se para regiões de fazendas e sítios de terras mais férteis na produção do café, diminuindo, assim, aquele que era um pequeno povoado com aproximadamente três mil habitantes por volta de 1.912.

Solos mais férteis e clima mais ameno, adequado à produção do melhor café de nossa região, sempre foram nos altos e fraudas da serra de Botucatu, em toda sua extensão, escondendo na época mais fria do inverno dos perigos das geadas, cuidados observados pelos produtores que entre outros, gerou um dos melhores, se não, o melhor café produzido nesta região do Estado, o café Bourbon amarelo variedade Botucatu. Ribeirão Grande, mesmo em dias comuns, era muito movimentada.

Mas a agitação crescia por causa dos visitantes, quando a todo seis de agosto se homenageava a São Bom Jesus, padroeiro da cidade. Moradores de toda a região na semana que antecedia a festa instalavam tendas para dormir, barracas, gado leiteiro para seu consumo. Sua igreja era muito freqüentada, nos dias de festa os moradores enfeitavam as ruas para receber os fiéis das cidades vizinhas.

Imagens e castiçais, de alto valor, enriqueciam o templo. Bem ornamentado também era o cemitério, a alguns metros da igreja, com túmulos sofisticados, cujas plaquetas numeradas a identificar a pessoa falecida, brilhavam a distância, tal era o polimento. Por esses insignificantes pormenores, ou pela crença de seu povo, Ribeirão Grande era o centro para o qual convergiam as atenções dos habitantes da região de Botucatu.

Quase nada mais se vê daquilo que foi um bom inicio de cidade. Os que estavam acostumados às festas no local e não sabem que a Vila desapareceu, voltam frustrados de suas visitas sem qualquer explicação. A igreja que lá existia, guardava em seu interior imagens, de valor inestimáveis, castiçais raríssimos trazidos da Itália por seus filhos mais abastados, que aportaram em grandes contingentes, em diversas oportunidades em nossa pátria, logo após a abolição dos escravos, trazendo ainda, consigo, ornamentações de custos elevados para a época, principalmente, quando, mais recentemente ainda, perderam em 1973 (em nome do progresso) sua Igreja, com o consentimento do Sr. Arcebispo da época para dar lugar à linha de energia de alta tensão da CESP.

No decorrer do tempo, foram demolidas as residências, as vendas (casas comerciais), a escola, a casa da cadeia e os túmulos do cemitério, onde foram sepultadas mais de quatrocentas pessoas. O ex-distrito de Ribeirão Grande vem, desde então, sendo comandado pelo município de Pardinho no quase nada que lhe restou.

E como um invocar do passado, sempre no dia seis de agosto de todos os anos, o povo da região, ainda clama para as autoridades espirituais e políticas temporais locais, no sentido de reconstruir a Igreja do Bom Jesus, para orar e fazer suas preces por seus entes queridos lá sepultados e cultivar as boas lembranças do local.

(Queremos aqui agradecer o escritor Botucatuense Dr. Hernâni Donato, pela historia do Bom Jesus do Ribeirão Grande contada em seu livro, que nos ajudou bastante na elaboração deste site) A área remanescente de dois alqueires do patrimônio do Ribeirão Grande, desde 1868, está localizada na altura do Km. 198 da Rodovia Castelo Branco, as margens do trevo que serve os Postos Rodoserv e Maristela, incrustado no Empreendimento Ninho Verde.

Desejando manifestar seu apoio financeiro, por gentileza, contatar a Comissão Comissão Pró Construção da Igreja do Bom Jesus do Ribeirão Grande.

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